8 de agosto – Dia Mundial de Combate ao Colesterol

Campanha da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia ressalta a importância do controle do colesterol para a saúde cardiovascular da mulher

Em 2022, as mulheres são foco da campanha da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) para Dia Mundial de Combate ao Colesterol (08/08). Segundo Joana Dantas, presidente do Departamento de Dislipidemia e Aterosclerose da SBEM, estudos recentes revelam que o colesterol alto, frequentemente relacionado à doença cardiovascular, como o infarto e o Acidente Vascular Cerebral (AVC), é negligenciado no sexo feminino.

O colesterol é um tipo de gordura responsável por diversas funções no corpo, como a formação das células do cérebro, nervos, músculos, pele e fígado, e a sintetização de hormônios como a Vitamina D e os hormônios sexuais. Cerca de 70% do colesterol vem do fígado e o restante, da alimentação. “Após passar pelo sangue, o colesterol não utilizado pelo organismo precisa ser removido novamente pelo fígado. Quando em excesso, o fígado pode ter dificuldade de metabolizá-lo, então ele volta para a circulação, favorecendo a formação de placas de gordura no interior das artérias, um processo chamado aterosclerose. Por isso, o colesterol alto no sangue tem uma relação direta com as doenças cardiovasculares”, explica a endocrinologista.

De acordo com Joana Dantas, as mulheres estão cerca de 8 a 10 anos atrás dos homens no aparecimento dos primeiros sintomas das doenças cardiovasculares. “Isso acontece porque o estrogênio tem um efeito protetor na doença cardiovascular e atua na liberação de substâncias vasodilatadoras no organismo, esclarece. Mas, ainda segundo a especialista, a partir dos 45-50 anos, e principalmente após a menopausa, com a redução natural desse hormônio feminino, há consequentemente um aumento progressivo do LDL (colesterol ruim) e uma diminuição progressiva do HDL (colesterol bom) e dos triglicerídeos, o que acaba fazendo com que o risco cardiovascular no sexo feminino aumente de forma significativa.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças cardiovasculares são as principais responsáveis pela morte de mulheres em todo o mundo – apenas o infarto responde por um terço dos óbitos femininos globais. São 8,5 milhões ao ano, o que resulta em mais de 23 mil mortes por dia. Entre as brasileiras, segundo o Ministério da Saúde, as cardiopatias chegam a representar 30% das causas de morte, principalmente acima dos 40 anos, sendo a maior taxa da América Latina.

Além do fator hormonal, aspectos culturais também contribuem para que as mulheres sejam negligenciadas quando o assunto são as doenças cardiovasculares. Segundo a presidente do Departamento de Dislipidemia e Aterosclerose da SBEM, estudos mostram que apenas 20% das mulheres conversam sobre a doença cardiovascular com seus médicos. “Ainda temos o pensamento de que as doenças do coração atingem mais homens, mas se colocarmos em perspectiva e levarmos em conta a maior expectativa de vida da mulher, podemos ver que em número de eventos, hoje, elas estão mais frequentes entre o público feminino. No entanto, seguem sendo menos investigadas e tratadas entre nós”, enfatiza Joana Dantas.

De acordo a endocrinologista, condições como diabetes e hipertensão, cada vez mais comum entre as brasileiras, aliadas a hábitos não saudáveis, como o sedentarismo, o tabagismo e o consumo excessivo de álcool, também contribuem para a alta do colesterol LDL e triglicerídeos nessa faixa etária.

Os sintomas da doença cardiovascular na mulher também são mais atípicos. De acordo com a especialista, as queixas mais frequentes são falta de ar, dor na mandíbula, dor nas costas e sintomas ansiosos, e não aquelas mais características, como dor no peito e formigamento no braço. “São sinais que podem passar desapercebidos em uma emergência, por isso observamos que nós mulheres demoramos mais tempo para sermos diagnosticadas e recebermos o tratamento, o que acaba refletindo em um número maior de desfechos desfavoráveis, como sequelas e morte em decorrência de AVC e infarto”, acrescenta a especialista. A dosagem do colesterol, segundo as diretrizes, deve ser feita pelo menos uma vez em toda pessoa acima dos 10 anos de idade. Quando elevado, é preciso avaliar qual a melhor conduta para um acompanhamento adequado. Segundo a médica, mudanças no estilo de vida e, em alguns casos, o uso de medicamentos, são aliados importantes. “Estima-se que a cada 40mg/dL de colesterol LDL reduzido, a mortalidade por infarto se reduz em 20%, por isso o diagnóstico e o tratamento são tão relevantes”, destaca.

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